Explore as palavras inspiradoras e reflexões profundas deste grande pensador.
35 frases encontradas
Endechas a Bárbara escravaAquela cativaQue me tem cativo,Porque nela vivoJá não quer que viva.Eu nunca vi rosaEm suaves molhos,Que pera meus olhosFosse mais fermosa.Nem no campo flores,Nem no céu estrelasMe parecem belasComo os meus amores.Rosto singular,Olhos sossegados,Pretos e cansados,Mas não de matar.U~a graça viva,Que neles lhe mora,Pera ser senhoraDe quem é cativa.Pretos os cabelos,Onde o povo vãoPerde opiniãoQue os louros são belos.Pretidão de Amor,Tão doce a figura,Que a neve lhe juraQue trocara a cor.Leda mansidão,Que o siso acompanha;Bem parece estranha,Mas bárbara não.Presença serenaQue a tormenta amansa;Nela, enfim, descansaToda a minha pena.Esta é a cativaQue me tem cativo;E. pois nela vivo,É força que viva.
Enquanto quis Fortuna que tivesseEsperança de algum contentamento,O gosto de um suave pensamentoMe fez que seus efeitos escrevesse.Porém, temendo Amor que aviso desseMinha escritura a algum juízo isento,Escureceu-me o engenho co'o tormento,Para que seus enganos não disesseÓ vós que Amor obriga a ser sujeitosA diversas vontades! Quando lerdesNum breve livro casos tão diversos,Verdades puras são e não defeitos;E sabei que, segundo o amor tiverdes,Tereis o entendimento de meus versos.
Amor, que o gesto humano n'alma escreve,Vivas faíscas me mostrou um dia,Donde um puro cristal se derretiaPor entre vivas rosas e alva neve.A vista, que em si mesma não se atreve,Por se certificar do que ali via,Foi convertida em fonte, que faziaA dor ao sofrimento doce e leve.Jura Amor que brandura de vontadeCausa o primeiro efeito; o pensamentoEndoudece, se cuida que é verdade.Olhai como Amor gera, num momentoDe lágrimas de honesta piedade,Lágrimas de imortal contentamento.
Tomou-me vossa vista soberanaAonde tinha as armas mais à mão,Por mostrar que quem busca defensãoContra esses belos olhos, que se engana.Por ficar da vitória mais ufana,Deixou-me armar primeiro da razão;Cuidei de me salvar, mas foi em vão,Que contra o Céu não vale defensa humana.Mas porém, se vos tinha prometidoO vosso alto destino esta vitória,Ser-vos tudo bem pouco está sabido.Que posto que estivesse apercebido,Não levais de vencer-me grande glória;Maior a levo eu de ser vencido.
Transforma-se o amador na cousa amada,Por virtude do muito imaginar;Não tenho logo mais que desejar,Pois em mim tenho a parte desejada.Se nela está minha alma transformada,Que mais deseja o corpo de alcançar?Em si somente pode descansar,Pois consigo tal alma está ligada.Mas esta linda e pura semideia,Que, como o acidente em seu sujeito,Assim como a alma minha se conforma,Está no pensamento como ideia;[E] o vivo e puro amor de que sou feito,Como matéria simples busca a forma.
Extremos são de amor os que padeço, Ó humano tesouro, ó doce glória; E se cuido que acabo então começo. Assim te trago sempre na memória; Nem sei se vivo, ou morro, mas conheço, Que ao fim da batalha é a vitória
Vencido está de amorVencido está de amor meu pensamentoo mais que pode ser vencida a vida,sujeita a vos servir e instituída,oferecendo tudo a vosso intento.Contente deste bem, louva o momentoou hora em que se viu tão bem perdida;mil vezes desejando a tal feridaoutra vez renovar seu perdimento.Com essa pretensão está seguraa causa que me guia nesta empresa,tão estranha, tão doce, honrosa e alta.Jurando não seguir outra ventura,votando só por vós rara firmeza,ou ser no vosso amor achado em falta.
Sete anos de pastor Jacob serviaLabão, pai de Raquel, serrana bela;mas não servia o pai, servia a ela,e a ela só por prémio pretendia.
Amor com seus contrários se acrescenta.
Quem vê, Senhora, claro e manifestoO lindo ser de vossos olhos belos,Se não perder a vista só em vê-los,Já não paga o que deve a vosso gesto.Este me parecia preço honesto;Mas eu, por de vantagem merecê-los,Dei mais a vida e alma por querê-los,Donde já não me fica mais de resto.Assim que a vida e alma e esperança,E tudo quanto tenho, tudo é vosso,E o proveito disso eu só o levo.Porque é tamanha bem-aventurançaO dar-vos quanto tenho e quanto posso,Que, quanto mais vos pago, mais vos devo.
De quantas graças tinha, a NaturezaDe quantas graças tinha, a NaturezaFez um belo e riquíssimo tesouro,E com rubis e rosas, neve e ouro,Formou sublime e angélica beleza.Pôs na boca os rubis, e na purezaDo belo rosto as rosas, por quem mouro;No cabelo o valor do metal louro;No peito a neve em que a alma tenho acesa.Mas nos olhos mostrou quanto podia,E fez deles um sol, onde se apuraA luz mais clara que a do claro dia.Enfim, Senhora, em vossa composturaEla a apurar chegou quanto sabiaDe ouro, rosas, rubis, neve e luz pura.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,Muda-se o ser, muda-se a confiança;Todo o mundo é composto de mudança,Tomando sempre novas qualidades.
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