Explore as palavras inspiradoras e reflexões profundas deste grande pensador.
35 frases encontradas
Amar é um cuidar que se ganha em se perder.
Quando de minhas mágoas a compridaMaginação os olhos me adormece,Em sonhos aquela alma me apareceQue pera mim foi sonho nesta vida.Lá numa saudade, onde estendidaA vista pelo campo desfalece,Corro pera ela; e ela então pareceQue mais de mim se alonga, compelida.Brado: - Não me fujais, sombra benina!Ela, os olhos em mim c'um brando pejo,Como quem diz que já não pode ser,Torna a fugir-me; e eu gritando: - Dina...Antes que diga: - mene, acordo, e vejoQue nem um breve engano posso ter.
Eu cantarei de amor tão docemente,Por uns termos em si tão concertados,Que dois mil acidentes namoradosFaça sentir ao peito que não sente.Farei que amor a todos avivente,Pintando mil segredos delicados,Brandas iras, suspiros magoados,Temerosa ousadia e pena ausente.Também, Senhora, do desprezo honestoDe vossa vista branda e rigorosa,Contentar-me-ei dizendo a menor parte.Porém, pera cantar de vosso gestoA composição alta e milagrosaAqui falta saber, engenho e arte.
Quando da bela vista e doce risoTomando estão meus olhos mantimento,Tão enlevado sinto o pensamento,Que me faz ver na terra o Paraíso.Tanto do bem humano estou diviso,Que qualquer outro bem julgo por vento;Assi[m] que, em caso tal, segundo sento,Assaz de pouco faz quem perde o siso.Em vos louvar, Senhora, não me fundo,Porque quem vossas cousas claro sente,Sentirá que não pode conhecê-las.Que de tanta estranheza sois ao mundo,Que não é de estranhar, Dama excelente,Que quem vos fez fizesse céu e estrelas.
Se tanta pena tenho merecidaEm pago de sofrer tantas durezas,Provai, Senhora, em mim vossas cruezas,Que aqui tendes uma alma oferecida.Nela experimentai, se sois servida,Desprezos, desfavores e asperezas,Que mores sofrimentos e firmezasSustentarei na guerra desta vida.Mas contra vosso olhos quais serão?Forçado é que tudo se lhe renda,Mas porei por escudo o coração.Porque, em tão dura e áspera contenda,É bem que, pois não acho defensão,Com me meter nas lanças me defenda.
Quem vê, Senhora, claro e manifestoO lindo ser de vossos olhos belos,Se não perder a vista só em vê-los,Já não paga o que deve a vosso gesto.Este me parecia preço honesto;Mas eu, por de vantagem merecê-los,Dei mais a vida e alma por querê-los,Donde já não me fica mais de resto.Assim que a vida e alma e esperança,E tudo quanto tenho, tudo é vosso,E o proveito disso eu só o levo.Porque é tamanha bem-aventurançaO dar-vos quanto tenho e quanto posso,Que, quanto mais vos pago, mais vos devo.
O fogo que na branda cera ardiaO fogo que na branda cera ardia,Vendo o rosto gentil que na alma vejo.Se acendeu de outro fogo do desejo,Por alcançar a luz que vence o dia.Como de dois ardores se incendia,Da grande impaciência fez despejo,E, remetendo com furor sobejo,Vos foi beijar na parte onde se via.Ditosa aquela flama, que se atreveApagar seus ardores e tormentosNa vista do que o mundo tremer deve!Namoram-se, Senhora, os ElementosDe vós, e queima o fogo aquela naveQue queima corações e pensamentos.
Muda-se o ser, muda-se a confiança;Todo o mundo é composto de mudança,Tomando sempre novas qualidades.Continuamente vemos novidades,Diferentes em tudo da esperança;Do mal ficam as mágoas na lembrança,E do bem, se algum houve, as saudades.
Prometeis, e não cumpris?Pois sem cumprir, tudo é nada.Não sois bem aconselhada;que quem promete, se mente,o que perde não o sente.
Os bons vi sempre passarNo mundo graves tormentos;E para mais me espantarOs maus vi sempre nadarEm mar de contentamentos.
Busque Amor novas artes, novo engenho, para matar me, e novas esquivanças; que não pode tirar me as esperanças, que mal me tirará o que eu não tenho.Olhai de que esperanças me mantenho! Vede que perigosas seguranças! Que não temo contrastes nem mudanças,andando em bravo mar, perdido o lenho.Mas, conquanto não pode haver desgostoonde esperança falta, lá me esconde Amor um mal, que mata e não se vê.Que dias há que n'alma me tem posto um não sei quê, que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói não sei porquê.
Ah! minha Dinamene! Assim deixasteAh! minha Dinamene! Assim deixasteQuem não deixara nunca de querer-te!Ah! Ninfa minha, já não posso ver-te,Tão asinha esta vida desprezaste!Como já pera sempre te apartasteDe quem tão longe estava de perder-te?Puderam estas ondas defender-teQue não visses quem tanto magoaste?Nem falar-te somente a dura MorteMe deixou, que tão cedo o negro mantoEm teus olhos deitado consentiste!Oh mar! oh céu! oh minha escura sorte!Que pena sentirei que valha tanto,Que inda tenha por pouco viver triste?
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